Recife sem espaço para médios eventos

[Por Jornal do Commercio,  26/04/2012]
Apesar de a capital pernambucana ser reconhecida como um destino forte para o turismo de eventos, deixa a desejar em relação à oferta de espaços para sediar fóruns, simpósios e feiras de médio porte, ao levar em consideração a quantidade de participantes – de 500 a 1,5 mil pessoas. Essa é uma queixa recorrente, inclusive, do próprio trade.
“Faltam áreas adequadas para eventos desse tipo. A maior dificuldade é a carência de locais convenientes para expositores, que exigem estandes para apresentação de produtos”, assegura o presidente do Recife Convention & Visitors Bureau (RCVB), Paulo Menezes. Ele reforça que vários salões da rede hoteleira pecam por ter pé-direito baixo, o que compromete a realização de feiras.
“E os hotéis que estão em construção, com promessa de áreas adaptadas para eventos dessa natureza só ficarão prontos a médio prazo.” Como exemplo, Paulo cita o Sheraton da Praia do Paiva, que deve ter espaço moderno para convenções. No entanto, só deve começar a operação em 2014. Ainda assim, o hotel não fica no Recife, e sim no Cabo de Santo Agostinho. “Este é um risco que a capital pernambucana corre: os eventos têm migrado para o Litoral Sul, onde a oferta para eventos de médio porte é maior.”
Com a intenção de preencher essa lacuna, o Mar Hotel, em Boa Viagem, passa por um processo de revitalização das unidades habitacionais e dos espaços para feiras, congressos e encontros. “O novo salão, que será modulável, deve ficar pronto no primeiro semestre de 2014 e terá capacidade para 1,5 mil pessoas, com um pé-direito de seis metros”, diz o gerente de vendas e marketing da rede Pontes Hotéis & Resorts, Sérgio Paraíso.
Ele frisa que, com essa nova área, o Mar Hotel poderá receber simultaneamente até 3,5 mil pessoas. Nesse sentido, é importante mencionar que, nem sempre, a quantidade de pessoas que participam de eventos é considerada o termômetro para qualificá-los como pequeno, médio ou grande porte. Para fazer essa caracterização, Paulo Menezes salienta que é importante levar também em consideração o quanto de retorno os encontros trazem para a economia.
A presidente da Associação Brasileira de Empresas de Eventos/Regional Pernambuco (Abeoc/PE), Tatiana Marques, tem a mesma visão. “Uma reunião internacional de alta cúpula, por exemplo, com apenas 40 representantes de países distintos, não pode ser classificada como um encontro de pequeno porte”, diz Tatiana.
Ela reforça que, ao levar em consideração as necessidades estruturais para eventos de médio alcance, percebe-se uma defasagem no Recife. “Nesse sentido, há necessidade urgente de espaços para esses encontros. O Recife tem demanda, mas faltam salas e espaços independentes.”
Ainda assim, Tatiana enumera locais no Recife que hoje têm boa capacidade para sediar eventos de médio porte. “Entre eles, está o espaço de eventos do JCPM Trade Center, que é o mais bem instalado na minha opinião. Além dele, há o Golden Tulip Recife Palace e o Mar Hotel.” A presidente da Abeoc/PE ainda cita casas de recepções, como a Cachaçaria Carvalheira e as Arcádias, que podem ser adaptadas. É o caso também da Oficina Francisco Brennand.
Ao fazer uma análise crítica, Tatiana ressalta que os responsáveis por convenções não podem focar apenas na estrutura. “Deve haver flexibilidade dos hotéis para se adaptar aos formatos dos eventos. Além disso, é fundamental os gestores desenvolverem bom relacionamento com as empresas organizadoras.”
Quem tem essa impressão é o médico Sérgio Palma, presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia/Regional Pernambuco (SBD/PE). Depois de a entidade realizar, por três anos consecutivos, a sua jornada científica no Litoral Sul de Pernambuco, ele decidiu trazer o encontro de volta para o Recife.
Mas teve dificuldades em encontrar uma área que reunisse confortavelmente 400 participantes e 20 estandes da indústria farmacêutica. “Tenho observado auditórios com o pé-direito muito baixo, o que dificulta a instalação de telas de projeção e a visualização das imagens pelos congressistas”, diz Sérgio.
Mesmo em hotéis que têm construções modernas e mais novas, ele percebe que há áreas com pequenas dimensões de foyers e espaços inadequados para estandes de patrocinadores. “Sinto que há desconhecimento técnico, por parte dos profissionais que cuidam dos espaços de eventos, sobre a conduta que deve ser tomada para o perfeito andamento de um evento de saúde. Isso atrapalha o conceito de receptividade, importante para decidirmos a escolha do local”, conclui Sérgio Palma.

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