Paraolimpíadas colocam em foco acessibilidade: R$150 mi garantidos

[Por Mercado e Eventos, 15/12/2011]
Aconteceu nesta quinta-feira (15/12), na capital carioca, o I Seminário Fluminense de Turismo Acessível. O evento marca a preocupação do Estado do Rio de Janeiro em discutir propostas que possam ser postas em prática. “A realização das Paraolimpíadas no Rio vem para evidenciar a necessidade de qualificação e infraestrutura, mas essa ação é muito mais abrangente, é para que todo e qualquer turista ou morador possa usufruir o que o Rio de Janeiro oferece”, destacou o subsecretário de Estado de Turismo, Audir Santana.
Audir ainda comentou que a cidade do Rio não dispõe de nenhum espaço totalmente acessível, um quadro a ser revertido e que a prefeitura já está se mobiliza para tanto. Na esfera estadual, Marcos Pereira, chefe de gabinete da Secretaria de Estado de Turismo afirmou que já existe um orçamento de R$150 milhões aprovado para as principais ações turísticas que contemplam a acessibilidade.
“A sinalização turística vai respeitar todas as leis vigentes de acessibilidade, além disso, já está disponível uma verba de R$4 milhões para investir no primeiro semestre de 2012 em qualificação para o mercado de trabalho turístico que capacitará profissionais deficientes ou não para trabalhar com todos os públicos”, afirmou Marcos Pereira.
O seminário trouxe exemplos bem sucedidos como a cidade de Santos e Socorro para apresentar as ações e discutir dificuldades. Luciano Marques, coordenador de Defesa de Políticas para Pessoas com Deficiência da cidade de Santos foi um dos palestrantes. Luciano ressaltou os problemas burocráticos como impeditivos da acessibilidade. Citou a questão dos patrimônios tombados, administrados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), nos quais encontra dificuldades para as reformas necessárias para acessibilidade. “Eu tenho direito de entrar em um prédio de 100 anos atrás e conhecê-lo”, disse Luciano, que é cadeirante. Audir Santana afirmou que existe uma regulamentação especial no Iphan para que possam ser feitas as reformas necessárias sem alterar o patrimônio.
A burocracia também foi levantada como entrave pelo empresário Carlos Alberto, cadeirante e dono da Laura Tour, empresa de turismo especializada em pessoas com pouca mobilidade. Carlos tem um veículo que comporta quatro cadeirantes e seis acompanhantes que ele mesmo dirige. Por não possuir o Cadastur, que exige um escritório em área comercial, caso que não se encaixa a Laura Tur, já que o registro da empresa é na residência do proprietário, Carlos perde oportunidades de trabalho e a própria divulgação da empresa por órgãos públicos em guias oficiais. “Para ter um endereço comercial preciso de dinheiro, para ter dinheiro tenho que trabalhar e para trabalhar bem preciso ter o Cadastur, que não posso obter com o endereço residencial”, afirmou Carlos.
O evento foi promovido em parceria do Sebrae, Secretaria de Estado de Turismo (Setur) e a Companhia de Turismo do Estado do Rio de Janeiro (TurisRio). No ano que vem, o seminário será realizado na Associação Niteroiense de Deficientes Físicos.

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