Copa do Mundo de 2014 deve registrar 50% a mais na demanda de passageiros no Brasil

[Por Revista Hotéis, 09/11/2011]
A ABRACORP – Associação Brasileira de Agências de Viagens Corporativas promoveu uma discussão sobre o legado que a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016 deixarão no Brasil. John Auton, sócio-líder de Atendimento para Empresas do Setor de Turismo, Hospitalidade, Lazer e Esportes da Deloitte, apresentou dados sobre esses megaeventos esportivos. No caso de uma Olimpíada, por exemplo, participam cerca de 15 mil atletas, 25 mil jornalistas, 6 mil pessoas no staff do comitê organizador, 8 mil credenciados para a movimentação de tochas e 100 mil voluntários, além de 800 mil espectadores.
Segundo a pesquisa “Brasil, bola da vez. Negócios e investimentos a caminho dos megaeventos esportivos”, realizada pela Deloitte em parceria com o Instituto Brasileiro de Relações com Investidores no ano passado, os principais benefícios identificados com eventos desse porte são efetivação de projetos de infraestrutura e logística (mencionado por 91% dos participantes), ampla divulgação do país no exterior (84%), maior fluxo de turistas (82%), ativação de investimentos estrangeiros (76%) e geração de empregos diretos e indiretos (65%). Já as atividades econômicas consideradas com maior potencial para receber investimentos em razão dos megaeventos são a indústria de construção (65%), turismo, hotelaria e lazer (55%), transporte aéreo e infraestrutura aeroportuária (53%), infraestrutura urbana (26%). “Trabalhando há 15 anos no segmento de turismo, posso afirmar que há um amplo mercado ainda a ser explorado e profissionalizado”, afirma Auton. “A ABRACORP está aberta a cooperar no que for possível para que o mercado se torne cada vez mais forte. Quanto mais forte ele se tornar, melhor para os nossos associados e para o turismo de uma maneira geral”, afirma Francisco Leme, presidente do Conselho de Administração da entidade.
Bons exemplos sobre o legado deixado pelos megaeventos não faltam. É o caso dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2010 em Vancouver, que receberam 500 mil turistas e contaram com o compromisso de investimento inicial de US$ 34 milhões pelo governo. Na Copa de 2010 da África do Sul, houve aplicação de R$ 2,8 bilhões em transporte e infraestrutura, com reformas de estradas, construção do aeroporto internacional em Durban e novos terminais em Johanesburgo e na Cidade do Cabo. Pensando nos Jogos Olímpicos de Verão de 2008, a preocupação foi com a sustentabilidade – houve plantio de 8,8 mil hectares de espaços verdes.
Klaus Kuhnast, Diretor de Vendas da Tam, comentou que para as companhias aéreas o cenário é preocupante. “Teremos concentração de jogos em alguns dias da semana, mas e nos outros? O mercado corporativo deve diminuir em muito suas viagens durante a Copa e os Jogos Olímpicos”, afirma, acrescentando que haverá mudança na malha aérea e vôos em horários alternativos para o período da Copa. “Durante a competição devemos receber 2,5 milhões de passageiros a mais que atualmente, quantidade 50% maior que a demanda atual e a que estimamos para 2020. Apenas na primeira semana devem desembarcar no país 300 mil pessoas, o dobro das 150 mil rotineiras. E na próxima década, o tráfego internacional continuará crescendo cerca de 9% ao ano, no mínimo”, completa, comentando também que um benefício será a realização de reformas e implementação de melhorias. Outra preocupação que fica no ar é: como oferecer uma tarifa competitiva durante o evento sem ter pr ejuízo, levando em conta que com a diminuição da demanda corporativa muitos vôos partirão com poucos passageiros.
Antonio Azevedo, diretor do ICCABAV -Instituto de Capacitação da ABAV, contou que está sendo realizado um trabalho de benchmark para facilitar e agilizar a atuação brasileira. Levando em conta a Copa do Mundo da Alemanha, foram registradas 2,4 milhões de pessoas (público geral), que gastaram cerca de 400 euros por dia. Apenas 15% do total de turistas foi acompanhado pela família, mas 66% admitiu pretender voltar ao destino acompanhado de seus parentes. Além disso, 73% dos viajantes foram para o país exclusivamente para a competição.
De acordo com Azevedo, um estudo do Sebrae apresentou que 87% dos participantes da Copa do Mundo da África do Sul não tiveram incentivo financeiro para a viagem, a mesma porcentagem esteve à ocasião no destino pela primeira vez e 83% fizeram turismo de lazer fora do ambiente dos jogos.

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